Sou um monarca sem trono
Vivo no abandono de mim mesmo
A viver como querem outros a esmo
Abdiquei de mim e vivo a mendigar
Amores alheios por corredores tortos
A esquecer-me de minha nobriedade
A deixar pelo caminho minha coroa
Meu cetro e meu manto de arminho
Pudera um dia acordar desse pesadelo
Dessa situação de destrono
Abandonar o triste abandono
E voltar para o meu próprio trono
Com minha espada lancinante
E destronar a besta alienante
E mais uma vez reinar
Meu eu triunfante

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