Magrela és um esqueleto que roda

Podes ser de aço, alumínio ou carbono
É com pés calçados de borracha e ar

Que te pões a me carregar.

É agarrado em teu guidão
Sentado em teu selim
Que obtenho liberdade

 Pelas ruas da agitada cidade
Ou percorrendo, estradas, trilhas
Aclives e declives de vales
Quando me sentindo rei
Faço-te extensão de meus pés.

Queria ser humanista como tu
Imparcial e amiga bicicleta
Que não escolhes quem te pilotar
Não se importa se negro, branco ou pardo
Somente te pões a rodar.
Perdão se às vezes a poeira,

O barro e a graxa em excesso

Ficam-te dias a grudar.
Escusa-me pela chuva e pelo
Sol que te obrigo a tomar
E se me demoro muito
Ao mecânico te levar.

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