O homem vai vivendo
E dele mesmo escondendo
Que para viver dia-a-dia
Tem de matar, por fim
A uma outra vida
Que nada, que voa
Que berra, que pia…

E assim vai nesse turbilhão
Sugando a alma e a carne
De seus irmãos
Ditos filhos da criação
Mas, melhor ser cego
Do que ver essa contradição.

Pois não o que desejas
Canibal irmão?
Um bife de defunto suíno?
Ou quem sabe uma porção
De feto bovino ou algo vitelino
Em deliciosa preparação?

O que queres meu irmão?
Quem sabe então um patê
De fígado inchado de pato doente
Para passar no pão?
Mas se és importante
Tenho ovas de esturjão.

Não, não fique enjoado irmão!
Existe um segredo para não passar mal
É esquecer de onde vem tua alimentação
E lembrar sempre que és o centro da criação,
E que tudo que nada, que voa, que anda e rumina
Não tem alma, sentidos, muito menos coração…

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