A chuva, a cair na distância
Com cheiro de tempos remotos,
Da história de minha infância;
Mergulhada em picardias de garoto.

Cai lá fora, chuva esparsa ao longe,
Umedecendo minha alma criança,
Que mesmo adulto me traz a mente
A saudade de tempos na lembrança.

A chuva que dentro traz,
A poesia de seus pingos;
A refrescar minha paz;
Como se fosse domingo;
Em aconchego e descanso;
A meditar sobre a vida;
Com suas correrias e remansos;
Encontrados na avenida.

Seus pingos gotejantes a encharcar
A terra que sedenta de água se faz;
Cheiro de terra molhada sem par;
Que aos meus pulmões apraz;
Com gosto de nostalgia dos dias
De menino que ficaram atrás
Nas lembranças dos banhos de calha;
Guerras irmanas de bolas de barro;
Diversão inocente que muito valha;
Limpa na água dos tonéis e jarros;
Que caia das coberturas de telhas.

Banhos de chuva, barcos de papel
Soltos na correnteza das valas;
Seguidos pela molecada num escarcéu;
Em disputa com muito grito e fala;
Desciam as torrentes às embarcações;
Como estivessem em mares bravios;
Que pareciam naus nas imaginações;
Dos moleques feitos capitães de navios.

Chuva em garoa fina ao entardecer;
Umedecendo o passeio de mãos dadas;
Momentos que são difíceis de esquecer;
Por eternizarem-se nas almas apaixonadas;
A caminharem por entre seus pingos esparçados,
A chuva com gosto e refresco da nobre poesia;
Que canta, amores, quimeras, flores, sol, estrela e lua;
Como um bálsamo, que sensibiliza as almas com maestria.

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