Regurgitam dos mares meus;
O que de mais precioso
Tem no profundo abismo.
Abismos de meus pensares
Que não me tornam ocioso
A buscar a essência do desconhecido.
Em alto mar, tormentas e tempestades.
Feitas por minha própria vontade,
Engolfando os barcos preamar
Que se perderem sem rumo
Em busca das ditas verdades,
No abismo encontram-se fragmentos
De mim mesmo nesta imensidade.
Quanta beleza e curiosidades imergem
Do abismo, maravilhado exclamo:
Oh ignorância bestial!
Por quanto tempo considerei profundo
O que falta muito para ser considerado
Raso, prolixo, superficial…
Ideologias todas abandonei no largo,
Quais desprovidas de razão emburrecem.
Por longos dias as portei garbo
Enquanto o espírito adoecia
E convalescente, milagres
E até sapo voar me apetecia…
Liberdade é planar no nirvana
Sem a fobia do pecado, difamado
Por mercadores da fraqueza humana
Que a tornaram apreço de mercado
Pois dinheiro e poder, são seus mais
Elementares predicados…
Oh dor! Oh angustia em ceder à razão
Rasgar como navalha minha alma
Desacoplando de meu coração
As concepções do atraso que esgana
Para renascer a coerência, que no passado;
Foi afogada no opúsculo pelo homem criado.
Mergulhando no abismo eu
Por mais que me custa dor e angustia
Nas profundezas da alma encontro
A seta apontando para minha essência
Imponente nas mãos
Do Velho Zaratustra.
Então corro, fuga tento
Para livrar-me da condição
De macaco pelado e racional
E ela acompanha-me a provar
Que não sou resultante
Do pecado original…
Velho Zaratustra!
Cicerone e baluarte de minha busca
Por liberdade e saúde mental
Vejo-te no monte Everest zimbório
A contemplar desprovido ostensório
A massa humana, na inércia fatal…
A contempla arrebanhada
Como ovelha ao abatedouro
Onde o sangue verte…
Suspiras indignado velho solitário
Por ser ela em tom forte
Artífice do próprio calvário…



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