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| Ecce homo |
Sou um enigma
Um rastro de sereno
Que se apaga com os raios de meu pensar
Evaporando-se para fazer parte das nuvens
E lá das alturas contemplo a planura
Onde esboço o rascunho de minha liberdade
Sou o que sempre fui deixando de ser…
Sou uma crisálida, uma metamorfose
Sou fogo, sou ar, sou terra, sou água
Sou um rio que flui sereno
Em direção ao mar e ao abismo
Onde se desfazem minhas utopias e meus medos
Sou claridade, sou confusão
Sou paz, sou guerra.
Sou finito, sou imensidão…
Brotam em mim verões, primaveras e outonos
Onde renovo minha aurora
Há inda em mim muito inverno e lareira
Mas sobra espaço para aconchego e prosa
Em fuga diante da madrugada matreira
Pois minha mente nietzschiana está grávida
Grávida de idéias
Um dia darei à luz
A uma estrela pensante
Nesse dia
Todas as ilusões e utopias
Religiões e deuses cairão
Mas, minha mente sabe
Que se erguerão outros ídolos
Outras irracionalidades
Pois o homem é uma criança perdida
Dos caminhos de si mesma
E ao encontrar uma pedra, nas trevas
De sua ignorância voluntária
Aos prantos dobra os joelhos
E a chama de pai, lhe rendendo graças
Pois esta criança grande
Não sabe navegar em outro mar
Se não for o de suas ilusões…



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